sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"TENTANDO ENTENDER A EFETIVAÇÃO DO PODER", por Prof. Carlos Alexandre





A série "ESPAÇO CIDADÃO" traz mais um artigo de um amigo colaborador. O primeiro artigo foi "O VOTO CIDADÃO", de autoria de Rinaldo do SINTEGRE.

O artigo de hoje tem um tema bem instigante:"TENTANDO ENTENDER A EFETIVAÇÃO DO PODER". O artigo foi escrito pelo nobre amigo Carlos Alexandre,  Professor da Rede Estadual e da rede municipal de Aquidabã. Tutor da Universidade Tiradentes e mestrando em Letras pela UFS.



Sintam-se à vontade pra discutir o assunto - você tem o espaço de COMENTÁRIOS para emitir sua opinião e crítica.

Isto posto, vamos ao artigo:

TENTANDO ENTENDER A EFETIVAÇÃO DO PODER
Por Carlos Alexandre N. Aragão

Neste breve relato quanto à formação do poder, irei me basear nos postulados da filósofa Hannah Arendt. Para ela a introdução no mundo humano se dá através do discurso e da ação. O primeiro faz com que ocorra a efetivação do caráter da pluralidade (relação entre os indivíduos) enquanto o outro cria a condição da natalidade. É através desses dois mecanismos que o homem se faz entender e compreende o outro enquanto homem. Para a ela se os homens não fossem diferentes não precisariam do discurso e da ação para se fazerem entender. A vida sem esses modos torna-se morta por não possibilitar uma interação entre os homens. Daí não se constrói uma pluralidade.

Dessa forma, a pluralidade humana, condição básica da ação e do discurso, tem o duplo aspecto de igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender entre si e aos antepassados, ou de fazerem planos para o futuro e preverem as necessidades das gerações vindouras. Mas esta igualdade não pode ser confundida com uniformidade. Analisando este aspecto no campo do senso comum seria o compartilhamento de conhecimento a partir de uma ideologia. Todos comungam de um mesmo pensamento, mas diferenciam em alguns pontos de vista. Lembre-se da frase canônica “toda unanimidade é burra”.

De acordo com o pensamento da filósofa, se os homens não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão existir, eles não precisariam da ação ou discurso para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas. Desse modo, o homem não precisa ser outro e sim manter uma relação de alteridade para que possa se singularizar e ao mesmo tempo se definir dentro de um recorte, visto que a alteridade se refere à relação com o outro. Segundo a estudiosa a alteridade é, sem dúvida, aspecto importante da pluralidade; é a razão pela qual todas as nossas definições são distinções e o motivo pelo qual não podemos dizer o que uma coisa é sem distingui-la de outra.Sendo assim, a ação e o discurso são os meios que possibilitam a interação entre os indivíduos, não somente como objetos físicos, mas enquanto homens pensantes.

A ação e o discurso, além de revelarem seus agentes, estabelece uma forma de mediação entre a realidade objetiva e os homens. Tal mediação é revestida de atos e palavras, uma vez que os homens agem e falam diretamente uns com os outros. A essa mediação/relação a pesquisadora chama de teia de relações humanas.

O entrelaçamento entre a palavra e o ato conduz a efetivação do poder. A ideia de poder não pode ser confundida com a da força. Segundo a filósofa a força está voltada a qualidade natural de um indivíduo isolado e o poder é a relação conjunta entre os homens. No momento em que há a dispersão dessa relação ocorre o desaparecimento do poder. Nesse sentido, percebemos que o poder humano se corresponde com a condição humana da pluralidade. Mas vale ressaltar que o poder não é uma propriedade de ninguém, porque ele se constitui em uma rede. Logo, todos os indivíduos são circulantes. Nesse sentido, qualquer indivíduo está sujeito ao poder, como também, pode exercê-lo.

Assim, podemos afirmar que qualquer cidadão exerce o poder de diferentes maneiras durante o seu dia-a-dia, sem necessariamente ter essa plena noção. Sendo que este não se resume a um ato político de um determinado candidato, mas a qualquer ação em que esteja presente a relação de poder. Dessa forma, devemos desmistificar a noção de poder que está na nossa memória e no imaginário social. O poder é exercido através da pluralidade, isto é, a partir da relação das pessoas e dos seus atos, sem que seja introduzida a força braçal. Para uma melhor reflexão sobre o tema sugerimos que leiam as seguintes obras:

• Microfísica do Poder – Michel Foucault;

• A Condição Humana – Hannah Arendt.


Carlos Alexandre N. Aragão
Mestrando em Letras - UFS
Tutor da UNIT e da UFS/UAB
Professor da rede estadual de SE e municipal de Aquidabã

http://lattes.cnpq.br/7300092564942762

3 comentários:

  1. Bom texte, Meu caro e nobre PORFESSOR CARLIS ALEXANDRE, É BEM Instigante E nos ensina a pensar de um forma conjunta ou individual: pra se fazer valer seus Direitos e seus deveres. Isto nos dá um senso de conjunção para chegar a um determinado objetivo
    Parabens por esse excelente artigo espero que os leitores internaltas si Deguste com esse TEXTO Magnifico

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  2. É bom ser bom para sentir-se estimado pelos bons. Parabéns meu nobre amigo Carlos.
    #halloescruz

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  3. Olá, nobre professor Carlos Alexandre!

    O tema "PODER" realmente é um tema interessante e por isso o parabenizo pelo texto que abre uma discussão realmente. Sinceramente, não conheço a obra de Hannah Arendt, portanto, não serei profundo no meu comentário. Tentarei passar apenas a minha impressão sobre o Texto.

    Realmente o discurso e a ação são os fatores principais para que aja entendimento e relação/interação entre os seres humanos, que é a pluraralidade. Apesar de semelhantes, não somos iguais e é essa diversidade que produz o novo - o auto conhecimento, a descoberta ou redescobertas, a criação ou transformação e nos faz compartilhar e produzir conhecimento, já que somos homens pensantes.

    Para isso, portanto, deve existir uma teia de relações, pois é necessário que o homem se integre, atue em conjunto, viva em comunidade, FALANDO E AGINDO. É nesse falar e agir que efetiva-se o poder. Mas não apenas um falar sem essência nem um agir que destrói. Tanto a palavra como a ação deve ter objetivos construtivos, criando novas relações e realidades. Poder não é força no sentido que a força está mais ligada ao indivíduo isolado, sozinho, egoísta. O poder está ligado uma relação conjunta, ou seja, a muitos indivíduos buscando o bem comum.

    Nesse sentido, o poder não é um bem particular, algo que alguém pode dizer :"É MEU", "É UMA HERANÇA QUE MEU PAI ME DEU". O poder é exercido ou obedecido por qualquer pessoa e em qualquer lugar: em casa, no trabalho, na escola, na comunidade...

    Vou tentar trazer para um lado mais prático. A Constituição e na Lei Orgânica do Município de Monte Alegre diz: "TODO PODER EMANA DO POVO". Então veja: POVO dá a idéia de uma teia de relações humanas, onde o CIDADÃO participa, colabora e argumenta sobre as bases do direito. Criamos mecanismos capazes de transformar a nossa realidade, mas só exercemos o poder quando o colocamos em prática, quando somos um agente atuante que exerce seus direitos e deveres - senão fica um discurso sem ação. De nada adianta você ter PLENOS DIREITOS (discurso) se não o exerce (AÇÃO). De nada adianta ter o melhor sistema político (DISCURSO) se este não for aplicado (AÇÃO). Discurso sem ação torna o poder ineficaz. No entanto, quando criamos, transformamos a realidade PROPONDO e AGINDO, então estamos exercendo o PODER.

    Bom, foi o que entendi. Somos diversos, desiguais no entendimento também... rsrsrs Portanto, que os nobre debatedores continuem, seja divergindo ou convergindo, afinal isso é alteridade (que é um aspecto importante da pluralidade).

    Abraços.

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