sábado, 29 de março de 2014

O RIO SÃO FRANCISCO CLAMA POR SOCORRO!



Hoje, 29 de março de 2014, sábado, dia de feira em Monte  Alegre de Sergipe, que por sinal é muito barulhenta, com bastante quantidade de bancas de CD e DV piratas, Mas isso não é o que me leva a escrever este texto, o que me deixou muito triste e constrangido foi o que aconteceu e vem acontecendo com o nosso Rio São Francisco. Está assustador, pois é a principal fonte de água doce da região Nordeste do Brasil.
O Velho Chico com é conhecido aqui no Sertão é abastecido em toda sua extensão, de 2.800 quilômetros, por 168 afluentes, sendo 90 na margem direita do rio e 78 na margem esquerda
Nós aqui do alto Sertão sergipano somos agraciado pelas suas águas cristalina descendo em nossas torneiras em abundância, tornando nossas vidas confortáveis, principalmente em nossa cidade,  enquanto uma  parte população mundial que não tem esse privilégio, cerca de 1,4 bilhões de pessoas não tem  água insuficiente, ou seja,  uma em cada quatro pessoa no mundo não tem acesso a esse liquido precioso para vida, a água potável. (fonte http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/03/blogs/leonardo_boff/164012-dia-internacional-da-gua--gua-fonte-de-vida-ou-de-lucro.html e http://www.projetohydros.com/projeto/desafios).
Sabendo que tem pessoas lutando pela a água, nós com tanta abundância de água desperdiçamos cerca de 46%. O mais agravante estamos matando rios e riachos que formam as bacias e micro bacias  do Rio São Francisco destruindo as matas ciliares.
“...Mata ciliar é toda vegetação localizada às margens dos rios e córregos. Assim como os cílios protegem os olhos, a mata serve de proteção aos rios, retendo as impurezas e preservando a integridade dos mananciais. Essa vegetação garante que não haja erosão das margens dos córregos e rios, evitando o assoreamento e a diminuição do volume das águas. Assim como outras áreas verdes, a mata ciliar também pode funcionar como um corredor ecológico, que interliga fragmentos florestais e facilita o deslocamento de espécies animais.Ao longo do tempo, as matas ciliares vêm sofrendo forte degradação, através dos processos de urbanização, construção de estradas e implantação de culturas agrícolas e pastagens de modo insustentável. Para minimizar este problema, o Programa Rio Rural realiza ações de educação ambiental e conscientização dos produtores de microbacias hidrográficas, levando informações e valorizando a mata ciliar em suas propriedades...” FONTE ( http://www.microbacias.rj.gov.br/mata_ciliar.jsp )
Temos diversas cidades abastecidas pelo Rio São Francisco, tanto energeticamente como por água potável descendo pelas torneiras, sem contar as lavouras irrigadas. Não se percebe nenhuma politica pública de proteção aos mananciais que abatessem esse Rio, aqui bem próximo a  Monte Alegre de Sergipe, Poço Redondo, Canindé de São Francisco e Nossa Senhora da Glória, dos 168 rios,  temos o Rio Capivara,  Rio do Cachorro, o Rio Jacaré, o Rio do Braz, e diversos outros rios, todos afluentes do Rio São Francisco que já viraram riachos totalmente poluídos e secos, as matas ciliares deste pequenos rios já foram completamente destruídas.
O Rio São Francisco está perdendo a paços largos sua fonte maior de abastecimento, o Velho Chico definhando rápido por demais. Pelo que se vê não vai muito tempo estaremos nós também sem água potável como a grande maioria da população mundial. Temos que realizarmos ações concretas e cotidianas urgente para preservar o nosso Rio São Francisco.   João Alves Filho, Prefeito de Aracaju – SE, vem alertando a todos, “...que não se pode dizer com exatidão quando o nosso tão conhecido rio da integração nacional se extinguirá. Mas a morte dele já é certa, caso não haja a revitalização do rio...”(Fonte: http://www.jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=6432 )
 Walfran, Professor de Geografia desta municipalidade, iniciou timidamente a revitalização da mata ciliar de alguns Rios, mas logo esmoreceu diante de tantas dificuldades, ora pelo poder público, ora pelos donos das propriedades ribeirinha, que por ser dono da área próxima ao Rio, dificulta com veemência a revitalização, talvez pela falta de conhecimento ou porque é muito mais vantajoso a curto prazo para eles a pastagem para os animais de grande porte.
Diante de tudo isso, vamos juntarmos e salvar o nosso RIO SÃO FRANCISCO que tanto conforto que nos proporciona.... Vamos fazer alguma coisa urgente pelo amor de DEUS...
Como diz Leonardo Boff “á agua é  um bem natural, vital e insubstituível”

quarta-feira, 19 de março de 2014

13ª ROMARIA DAS CRUZINHAS – MONTE ALEGRE DE SERGIPE , 19/03/2014



  “O grande caldeirão das culturas do Sertão que são formadas pelas principais vertentes das culturas europeias, que viriam mesclar-se e sincretizar-se com a imensa diversidade das culturas ameríndias e afro-brasileira: Nossas culturas populares são tapuia-cariri, árabe-andaluza, africana-magrebina, judeu-íbero-mediteraneo...” Rosemberg Cariry - Cinieastra Escritor Cearense(Fonte Jornal O POVO – Fortaleza – CE, 15 de maio de 2011)

O“santificado” é uma categoria tipicamente da religiosidade popular de inspiração católica que se misturou na vida das populações latino-americanas,  ao longo do processo de colonização dos povos contactados   pelo invasor europeu.

Assim é que hoje temos noticias que ocorrem tais manifestações de exaltação mística: na Argentina(Gauchito Gil - Antonio Mamerto Gil Núñez), na Venezuela (Dr. José Gregorio Hernández) e no Brasil em  inúmeras localidades. 

Já na Bolívia, o Comandante e Guerrilheiro Ernesto Che-Guevara, assassinado pela CIA(Central de Informação Americana) em 08 de outubro de 1967, foi aclamado pelos camponeses como seu santo protetor e atualmente é venerado em todo aquele país. No local onde Che foi enterrado foi erguido um santuário em sua memória, onde acontecem Romarias e quem é socorrido deixa lá ex-votos.  

Aqui no Sertão de Sergipe tal fenômeno aconteceu no ano de 1907, envolvendo as crianças João (9 anos)   e Alexandrina (7 anos), que ao saírem para catar umbu ali na redondeza aos poucos foram se afastando de sua mãe, que lavava roupa em um barreiro. Findaram se desgarrando dela, perderam-se no mato e quando foram encontrados, já estavam mortas. 


Em homenagem à memoria destes “SANTOS INOCENTES DO SERTÃO DE SERGIPE”, já pela 13ª vez um grupo de devotos novamente realizou a Romaria das Cruzinhas, hoje na data de 19 de março de 2014.


A romaria das Cruzinhas há alguns anos segue o seguinte ritual:

1º - Alvorada – por volta das três horas e trinta da madrugada, através de um pipocar de foguetes os participantes são convocados para se reunirem em frente ao local de partida (Rodoviária);


2º – Deslocamento – Em um percurso de três quilômetros centenas de devotos animados por um carro de som saíram cantando, rezando, na direção das Cruzinhas;

3º - Missa - Reunidos no local da Romaria, logo em seguida o Vigário de Monte Alegre de Sergipe, Padre Ednaldo, rezou uma missa bastante participada. No final da missa foi lido e distribuído um texto que relata a História dos SANTOS INOCENTES DO SERTÃO DE SERGIPE, (esse texto está disponível no site: http://www.geraldodebeijo.com.br/ )



  - Café Comunitário -  Ao encerrar a Romaria, os participantes são convidados a partilharem os alimentos que trouxeram. Em um ambiente bastante animado os devotos festejam a memória de João e Alexandrina, sinalizando para um convívio saudável nestas paragens do Sertão.


“Essas culturas do Sertão, pela diversidade e complexidade de suas manifestações, são pedras fundamentais nos pilares de sustentação da cultura brasileira” Rosemberg Cariry - Cinieastra Escritor Cearense(Fonte Jornal O POVO – Fortaleza – CE, 15 de maio de 2011)






































































13ª ROMARIA DAS CRUZINHAS - 19 DE MARÇO DE 2014



 Hoje realizamos a 13ª Romaria das Cruzinhas. Esta tradição ligada ao catolicismo popular, em nossa região, tem ligação com o trágico acontecimento do desaparecimento das crianças João e Alexandrina (na Fazenda Lajedo - Porto da Folha – SE), no remoto ano de 1907.
Por ocasião da quaresma daquele ano (época da safra de umbu), as crianças saíram na companhia de sua mãe até um tanque, onde ela ia lavar roupa. Chegando ao local a mãe começou o seu trabalho e deu permissão às crianças pra catar umbu ali por perto.
Como João e Alexandrina não encontraram muitos frutos nos umbuzeiros próximos ao tanque, aos poucos foram se distanciando da vista da mãe.
Passado bom tempo, a mãe lembrou-se dos filhos e chamou por eles. Como não obteve resposta, começou a ficar aflita. Abandonou os serviços e saiu à procura das crianças. Desnorteada não sabia por onde começar a busca aos filhos. Após longo tempo de procura sem resultado, ao encontrar uma pessoa a cavalo, pediu ajuda. O cavaleiro prometeu juntar mais gente para vir em socorro dos meninos.
Segundo a narrativa tradicional que ficou na memória popular da época relacionado ao desaparecimento das crianças, o genitor delas teria ido à feira de Ribeirópolis vender peixe. Ao retornar a sua casa logo soube do acontecido e se juntou ao grupo que saiu em várias direções à procura dos inocentes.
Embora tenha sido feita intensa busca, somente após três dias os meninos foram encontrados: Alexandrina já estava morta e João ainda vivo tinha retirado a camisa e colocado no rosto dela. Logo em seguida, João também faleceu.
No local onde aconteceu a morte das crianças foram colocadas duas cruzes. Passado pouco tempo a população sertaneja começou a se valer dos favores dos dois inocentes que morreram ali de uma maneira tão trágica.
No local foi erguida uma pequena casa de oração, dando origem a esta devoção popular aqui em nosso Alto sertão sergipano. Em torno das Cruzinhas surgiu também um pequeno cemitério.
Por várias décadas do século XX a devoção às Cruzinhas ficou restrita a um pequeno grupo.  Por inciativa de Eloy Santana, em 1974 o padre Leon Gregório, Vigário de Nossa Senhora da Glória e Monte Alegre de Sergipe tomou conhecimento da existência da veneração às Cruzinhas celebrando a primeira missa no local.
 Quando o Padre João Nascimento chegou à Paróquia de Monte Alegre de Sergipe, combinou com os devotos das Cruzinhas, para que o dia de São José (19 de março) ficasse como data fixa anual da celebração de missa naquela capelinha.
O Padre Clóvis quando foi Vigário de Monte Alegre de Sergipe celebrou apenas uma vez nas Cruzinhas.
Já em relação ao Padre Francisco, quando Vigário de nossa Paróquia participou todos os anos da Romaria às Cruzinhas.
Ao assumir a Paróquia de Monte Alegre de Sergipe, o Padre Edmildon deu apoiou a esta Romaria indo celebrar anualmente no dia 19 de março nessa localidade.
Frei Roberto Eufrásio de Oliveira, missionário popular do Nordeste, por ocasião de missões populares em Monte Alegre de Sergipe, tomando conhecimento da História das duas crianças, pediu que as pessoas passassem a chamar João e Alexandrina: OS SANTOS INOCENTES DO SERTÃO DE SERGIPE.
Padre Edinaldo, atual vigário de Monte Alegre de Sergipe pela segunda vez está participando da Romaria às Cruzinhas.
Comprovando o crescimento da adesão popular à devoção às Cruzinhas, cada ano comparecem mais pessoas a esta Romaria. E os devotos que são atendidos nos seus pedidos trazem ex-votos para serem colocados dentro da capela em torno das cruzes de João e Alexandrina.  
Monte Alegre de Sergipe,  19 de março de 2014